O tratamento da notícia do assassinato de um policial militar na entrada de um bairro pobre dos arredores de Buenos Aires tornou-se oportunidade propícia para que os meios de comunicação de massa colocassem em cena a figura midiática do jovem (homem) de setores populares associado à violência e ao delito. Figura estereotipada que aparece como natural e essencializada, esta construção social condensa três problemáticas diferentes entre si: «insegurança», «violência dos jovens» e «delito», as quais constituem fenômenos distintos, com causas diferentes e que requerem intervenções particulares. Analisa-se neste artigo a forma pela qual os meios de comunicação (principalmente a mídia impressa) trataram a notícia, para evidenciar certos procedimentos enunciativos presentes de forma recorrente nas narrativas, nas quais os jovens de setores populares aparecem como retrato indiscutível da «insegurança» e da violência urbana. Contrastamos este tratamento com os resultados de nosso trabalho etnográfico no mesmo bairro. Reconstruir estes procedimentos permite desconstruir o caminho da naturalização para dar conta criticamente de um dos mecanismos mais importantes da construção social do sentimento de insegurança e de suas consequências no tratamento da questão juvenil.
Gentile, M. F. (2020). Os procedimentos discursivos para a construção midiática da figura do jovem pobre e delinquente. O «caso Jonathan». Última Década, 19(34), 93–119. Recuperado de https://ultimadecada.uchile.cl/index.php/UD/article/view/56091
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